O congelamento de sêmen é opção para possível paternidade após câncer de próstata que pode afetar a fertilidade masculina

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Entre as principais consequências dessa doença está a infertilidade masculina. São poucos os oncologistas que alertam os pacientes sobre a possibilidade de ficar estéril, temporariamente ou em definitivo, em função do tipo de câncer e dos tratamentos, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Você sabia que no Brasil em torno de 68 mil (2018) homens são diagnosticados com câncer de próstata por ano? É imprescindível o acompanhamento médico regular! Segundo dados do INCA, esse câncer é a segunda doença que mais mata homens no país, perdendo apenas para o câncer de pele.

O congelamento de sêmen é opção para possível paternidade após câncer de próstata que pode afetar a fertilidade masculina

Graças aos avanços da medicina na área de reprodução assistida, os homens diagnosticados com essa doença podem realizar o sonho da paternidade sim. A capacidade reprodutiva pode ser preservada por meio da retirada de sêmen para congelamento de espermatozoides antes do início do tratamento oncológico.

No caso dos pacientes que precisam de quimioterapia e radioterapia para combater as células cancerígenas, o comprometimento da fertilidade aumenta. Segundo Edson Borges Júnior, especialista em reprodução humana e diretor científico do Fertility Medical Group, metade das pessoas que passam por tratamentos contra o câncer ficam estéreis.

“O tumor é um tecido que se divide rapidamente. Os tratamentos das neoplasias, como radioterapia e quimioterapia, atingem não apenas estas células tumorais, mas também o tecido testicular, comprometendo a produção de espermatozoides", explica Borges.

Como é o congelamento do Sêmen?

A preservação da possibilidade de ter filhos por reprodução assistida no sexo masculino é bem mais fácil do que na mulher. Após a puberdade, consiste apenas na masturbação (método não-invasivo), de preferência em várias amostras, e criopreservação (congelamento) do sêmen, antes do início do tratamento contra o câncer. Se, por alguma razão, o homem não conseguir ejacular, os espermatozoides podem também ser retirados diretamente dos testículos, com uma simples agulha ou uma pequena cirurgia. No caso de crianças, que ainda não ejaculam, a única forma é o congelamento de fragmentos dos testículos.

O sêmen é congelado a -196 oC e armazenado por tempo indeterminado. Além disso, é recomendado que se espere de seis a doze meses para a sua utilização, pois nesse período a fertilidade pode voltar ao normal.

Depois disso, quando o casal decidir ter filhos, será feita uma inseminação artificial na mulher, ou mesmo a Fertilização in Vitro, se necessário.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens a partir da puberdade devem procurar um profissional especializado, para avaliação individualizada. O início da avaliação do risco de câncer da próstata começa aos 50 anos e, naqueles da raça negra, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. Os exames deverão ser realizados após uma análise dos fatores de risco pelo urologista e ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de dez anos.

O diagnóstico do câncer de próstata é feito exclusivamente através da biópsia da próstata. Para indicar corretamente a biópsia, o urologista precisa levar em consideração vários fatores, dentre eles o toque retal. A finalidade desse exame é detectar qualquer alteração na próstata (endurecimento, nódulos) que possa estar relacionada com a presença do câncer. Apesar de desconfortável, é parte fundamental da avaliação prostática, servindo também para auxiliar na decisão da melhor forma de tratamento, caso o câncer esteja presente. O PSA é o marcador mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata. Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata, por isso a necessidade do toque retal.

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