Hipotireoidismo e gestação

O que toda gestante com hipotireoidismo deve saber?

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*Por Lorena Lima Amato

Os hormônios produzidos pela glândula tireoide são essenciais para a saúde da mãe e do bebê. Durante a gravidez a tireoide passa a ser ainda mais exigida, pois precisa dar conta do metabolismo da gestante e da criança.

Os níveis adequados de hormônios tireoidianos são essenciais para que o desenvolvimento neurológico do feto ocorra normalmente. A tireoide do bebê só começa a ser formada a partir da 20ª semana de gestação, até lá, todo hormônio tireoidiano que o bebê precisa para se desenvolver é de origem materna.

A deficiência dos hormônios tireoidianos durante a gravidez pode levar a diversos problemas de saúde tanto para mãe, como o aumento da pressão arterial, abortos e partos prematuros, quanto para o bebê, como problemas mentais, déficit cognitivo e aparecimento de bócio.

Antes mesmo de engravidar a mulher já deveria estar atenta à boa função da tireoide, já que tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem ser fatores para infertilidade.

Identificada a gestação, toda gestante deveria ter sua função tireoidiana avaliada através da dosagem do TSH. Se detectada alteração, o tratamento deve ser prontamente iniciado. Para as mulheres que já têm doença tireoidiana, é essencial que esta esteja bem controlada já no planejamento da gravidez. 

Quanto ao tratamento do hipotireoidismo na gestação, é normal que a dose de hormônio tireoidiano utilizada no início seja alterada pois as necessidades variam durante a gestação, e o monitoramento dessa dose deve ser muito frequente. O hormônio tireoidiano (levotiroxina) é seguro para ser usado tanto na gestação como na fase de amamentação, não fazendo mal ao bebê. 

Em alguns casos, a função da glândula tireoide volta ao normal após a gravidez. No entanto, essas mulheres têm risco aumentado de voltarem a apresentar novos problemas na tireoide, devendo permanecer atentas a essa possibilidade. 

O hipotireoidismo na gestação é um problema frequente, de fácil tratamento e detecção, mas que se não tratado adequadamente traz sérias consequências à saúde da mãe e do bebê.


*Lorena Lima Amato é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)


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