Cesárea x Parto Normal: Qual a Melhor Decisão?

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O Brasil só perde no número de cesáreas no mundo para República Dominicana. O Brasil com 55% do total de partos e a República 58,1%. No entanto, a OMS - Organização Mundial da Saúde indica que 15% é um índice tolerável e adequado para a realização do procedimento quando mãe e bebê não estão em condições físicas e nem de saúde para um parto normal. 

Conhecido como parto vaginal, é o mais indicado, quando é bem assistido e com uma gravidez de baixo risco e sem contraindicações. Pesquisa da Fiocruz, em parceria com diversas instituições científicas do país, mostraram que, cerca de 70% das gestantes brasileiras desejam um parto normal no início da gravidez, porém, poucas são apoiadas nessa decisão. 

É fato que, desde os nossos primórdios o parto normal é um acontecimento fisiológico e um processo natural que quase não necessita de intervenção médica - quando a gestação é considerada de baixo risco. Assim, a gestante deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar durante a jornada da gravidez para se identificar e evitar possíveis riscos.

Já a cesárea é uma cirurgia de médio porte, e é recomendada apenas em casos de possíveis complicações para a mulher e para o bebê. O procedimento salva vidas, porém é preciso ter critério. É bem verdade que os avanços da obstetrícia, o desenvolvimento da ciência e de novas técnicas atreladas à tecnologia, tornaram o parto hospitalar mais seguro e melhoraram os indicadores de morbidade e mortalidade materna e perinatais. Contudo, dentro do ambiente hospitalar, as mulheres e os recém-nascidos, às vezes, são expostos a intervenções desnecessárias, como episiotomia, cesariana, uso indiscriminado de ocitocina, entre outras, que empobrecem o ato extraordinário que é dar à luz. 

Aspectos emocionais e físicos da parturiente são afetados com excesso de intervenções. Uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto e isso é lamentável. É chamada de violência obstétrica quando há inibição de movimentação da mulher durante o trabalho de parto, a realização de procedimentos que não têm necessidade de acontecer, a execução de procedimentos sem o consentimento da mulher, maus tratos e abuso de poder, o desrespeito às escolhas dela, a omissão de informações importantes.

Não se realiza uma cesariana apenas com a finalidade de evitar as dores do parto. A gestante precisa entender que a cirurgia trará́ suas próprias complicações e riscos à saúde da mãe e filho. Nos últimos anos, tem-se promovido os aspectos fisiológicos e naturais do parto. Os profissionais de saúde orientam as gestantes durante o pé́-natal  sobre formas opcionais para controlar a dor durante o trabalho de parto, atividades diferentes que facilitem ou contribuam para o desenvolvimento do trabalho de parto.

Sabemos que a cesárea aumenta o risco de infecções pós parto, as taxas de hemorragia materna e a incidência de internações em UTI neonatal. Normalmente, quando o trabalho de parto ocorre espontaneamente, o bebê já está completamente maduro e formado, o que reduz as chances de internação em UTI neonatal. Além disso, ao passar pelo canal vaginal, o tórax fetal é comprimido, o que reduz as chances de aspiração do líquido amniótico e a incidência de problemas respiratórios. No canal vaginal, o feto também entra em contato com bactérias e fungos que irão ajudar na formação da sua microbiota intestinal, o que favorece um melhor desenvolvimento de seu sistema imune.

São muitas as vantagens de ser ter um parto natural. Muito além da saúde, a gravidez e o parto, são dotados de sentimentos, planejamentos e sonhos; um momento único e especial na vida de cada família. Este momento exige o devido acolhimento, pois a experiência vivida por esta mulher pode deixar marcas profundas positivas ou negativas em sua vida. Assim, é fundamental um serviço de saúde qualificado de atenção à gestante, centrado na mulher. 

Além de um acompanhamento pré-natal adequado, a mulher precisa ser amparada e claramente informada sobre riscos, benefícios e como ocorrem os tipos de parto. E a decisão da via de parto deve ser compartilhada entre a gestante e a equipe de saúde que a acompanha, e o principal:  A gestante e  futura mãe necessita se sentir compreendida e ouvida para ter segurança e tranquilidade.

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