Amamentação: segunda chance

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Muitas mulheres - geralmente, marinheiras de segunda viagem - ficam desanimadas com a amamentação por terem vivido anteriormente uma experiência ruim e frustrante. Acreditam que esta seja uma sina a ser aceita e que as dificuldades se repetirão. O fato é que mesmo com tanta informação e do sucesso das campanhas de incentivo, o índice de desmame precoce continua alto. Sabe-se que embora aproximadamente 97% das crianças mamem no peito em seus primeiros dias de vida, apenas 6% continuam recebendo exclusivamente leite materno em seu segundo mês.

Amamentar, apesar de ser um ato natural, requer uma certa destreza, uma habilidade que precisa ser resgatada, uma prática a ser reaprendida por todos: mães, famílias e profissionais de saúde que interajam com a dupla mãe-bebê. Amamentar inclui aprendizagem de uma linguagem que mãe e bebê adotam, capaz de simbolizar emoções que ambos estejam vivendo; uma forma de relação interpessoal intensa.

O fato de não ter conseguido amamentar o primeiro filho pode desencadear muitas reações negativas capazes de realmente levar a novo fracasso. Tristeza, apreensão, ansiedade, dor, cansaço, medo e raiva, por exemplo, interferem na produção de hormônios fundamentais à produção e à liberação do leite materno.

Nenhuma mamãe pode estar feliz convivendo com mamilos feridos, leite empedrado, bebê que não ganha peso ou que está sempre esfomeado. Essas situações aparentemente comuns têm sido encaradas até mesmo pelos médicos como normais; algo a ser esperado e historicamente vencido por dedicadas e boas mães.

Essas situações, na verdade, são patológicas e não deveriam fazer parte do processo de amamentação. Sabemos, hoje, que a grande maioria dos problemas que levam bebês a largar o peito pode ser prevenido ou corrigido. Todas as causas de desmame precoce são reversíveis, ou seja, o que aconteceu com um primeiro filho não precisa necessariamente repetir-se com os próximos.

Concluindo: para nós, mulheres ocidentais e urbanas, a amamentação, longe de ser uma prática natural, requer mesmo aprendizado e treinamento. O fato de não ter conseguido amamentar o primeiro filho funciona como um sinal de alerta. É preciso redobrada atenção e, com certeza, um ótimo preparo ainda no pré-natal.

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